Desde seu lançamento, O Agente Secreto passou a ser comparado por parte do público ao longa brasileiro Ainda Estou Aqui. A associação surgiu mais por expectativa e leitura apressada do que por afinidade real entre as obras. Apesar de compartilharem um pano de fundo político em certos momentos, os dois filmes seguem caminhos muito diferentes em proposta, linguagem e impacto emocional. Entender essa diferença é essencial para evitar frustrações e análises injustas.
Comparações que nascem da expectativa
A confusão inicial acontece porque ambos os filmes dialogam, de formas distintas, com contextos políticos e históricos. Isso levou parte do público a esperar de O Agente Secreto a mesma abordagem sensível, intimista e reflexiva presente em Ainda Estou Aqui. No entanto, essa expectativa parte de uma premissa equivocada.
Não se trata de filmes irmãos, mas de obras com objetivos narrativos completamente diferentes. A comparação diz mais sobre o olhar do espectador do que sobre a intenção dos realizadores.

Ainda Estou Aqui é um drama profundamente pessoal. Sua força está no silêncio, na introspecção e na construção emocional dos personagens. O filme utiliza a política como pano de fundo para falar de ausência, memória, dor e identidade. É uma obra que convida à reflexão e ao desconforto emocional.
O Agente Secreto segue outro caminho. Sua estrutura é a de um thriller de espionagem clássico, com foco em tensão narrativa, conflitos externos, investigações e reviravoltas. A política aparece como engrenagem da trama, não como centro emocional. O filme prioriza ritmo, suspense e ação psicológica, sem a mesma preocupação em aprofundar dilemas íntimos.
São linguagens diferentes, voltadas para experiências distintas.
Escolhas narrativas que afastam as obras
Ao longo da história, O Agente Secreto deixa claro que não pretende ser um drama contemplativo. Os personagens são construídos para servir à trama de espionagem, e não para representar arquétipos emocionais ou sociais complexos. Suas decisões são funcionais, guiadas pela lógica do gênero.
Já em Ainda Estou Aqui, cada gesto carrega significado simbólico. O ritmo é mais lento, o silêncio é narrativo e a política é sentida no corpo e na rotina dos personagens. Comparar essas escolhas como se fossem falhas ou acertos universais ignora o que cada filme se propõe a fazer.
Veja também
- O Agente Secreto e o Caminho Até o Oscar: Atuações, Direção e Impacto Crítico
- ‘O Agente Secreto’ vence o Globo de Ouro 2026

Expectativas moldam a recepção
A recepção distinta das duas obras está diretamente ligada às expectativas criadas pelo público. Quem entra em O Agente Secreto esperando um drama político intimista tende a se frustrar. Quem o assiste como um thriller, sem comparações prévias, encontra uma obra coerente com sua proposta.
O problema não está no filme, mas na comparação forçada. Cada obra dialoga com um público específico e ocupa um espaço próprio dentro do cinema nacional.
O Agente Secreto não é, nem tenta ser, o novo Ainda Estou Aqui. Ele não substitui, não dialoga diretamente e não compete com o impacto emocional do outro longa. São filmes que coexistem, não se anulam.
Assistir sem preconceitos, sem rótulos e sem expectativas herdadas é a melhor forma de compreender o valor de cada obra. Quando vistos dentro de suas propostas reais, ambos se sustentam — cada um à sua maneira.
