A franquia Silent Hill sempre ocupou um lugar especial dentro do terror. Desde os jogos originais, a série se destacou por terror psicológico, atmosfera opressiva e narrativas simbólicas que exploram culpa, trauma e medo interno. Por isso, qualquer nova adaptação carrega expectativas elevadas. O problema é que o novo filme ambientado nesse universo falha justamente onde Silent Hill sempre foi mais forte.
Desde os primeiros minutos, fica claro que a produção não compreende a essência da franquia. Silent Hill nunca foi sobre sustos fáceis ou violência explícita. Seu impacto nasce do silêncio, da angústia e da sensação constante de desconforto. Ao ignorar isso, o filme se afasta da identidade que consagrou a série.
Falta de atmosfera e terror psicológico
Um dos maiores problemas do longa é a ausência de uma atmosfera realmente opressiva. A névoa, elemento icônico da franquia, está presente visualmente, mas sem peso narrativo. Falta construção de tensão. Falta silêncio incômodo. Falta o medo que cresce aos poucos.
O terror psicológico, marca registrada da série, é substituído por sustos previsíveis e cenas exageradas. Em vez de provocar desconforto emocional, o filme aposta em choques rápidos que não deixam impacto duradouro. Silent Hill perde sua essência quando abandona o psicológico.

Personagens rasos e atuações pouco convincentes
Outro ponto crítico está nos personagens. Eles são mal desenvolvidos, com motivações superficiais e pouco espaço para gerar empatia. Suas decisões parecem forçadas, servindo apenas para mover a trama.
As atuações não conseguem sustentar o peso dramático necessário. Em momentos que deveriam ser intensos, falta entrega emocional. Em uma franquia construída sobre sofrimento interno e culpa, interpretações fracas comprometem toda a experiência.
Enredo confuso e dependente de clichês
O roteiro apresenta uma narrativa confusa, mal estruturada e cheia de clichês do terror moderno. Não há inovação nem uma releitura criativa do universo Silent Hill.
Em vez de trabalhar simbolismos e ambiguidade, o filme entrega explicações diretas e soluções fáceis. Isso vai contra o espírito da franquia, que sempre se destacou por deixar perguntas em aberto e provocar reflexão. Silent Hill sempre foi sobre o que não é dito.

Mesmo as adaptações mais antigas, apesar de suas falhas, demonstravam maior respeito pelo clima e pela estética da obra original. Elas tentavam preservar o tom melancólico e perturbador que define Silent Hill.
O novo filme, por outro lado, parece utilizar apenas o nome da franquia, sem compreender o que a tornou relevante. O resultado é uma obra genérica, incapaz de dialogar com fãs antigos ou conquistar novos públicos.
Uma oportunidade desperdiçada
No fim, o novo Terror em Silent Hill não acrescenta nada significativo ao universo da série. Ele decepciona fãs, não inova dentro do gênero e falha em capturar a identidade que tornou a franquia icônica. Uma adaptação esquecível para uma obra que merecia muito mais cuidado.
