O final da quinta temporada de Stranger Things entregou exatamente o que os fãs esperavam em termos de escala, emoção e fechamento narrativo. A batalha decisiva contra Vecna e o Mind Flayer reuniu os principais personagens da série em um confronto intenso no Mundo Invertido e também no plano mental de Eleven. No entanto, um detalhe chamou atenção do público mais atento: a ausência dos Demogorgons, criaturas que se tornaram símbolo da série desde sua estreia em 2016.
Em entrevistas recentes, os irmãos Matt e Ross Duffer explicaram que a decisão foi totalmente consciente e pensada para preservar o impacto dramático do desfecho. Segundo os criadores, a luta final precisava manter o foco absoluto em Vecna como antagonista central e no Mind Flayer como a grande força cósmica por trás de tudo. Inserir os Demogorgons nesse momento poderia diluir a tensão narrativa e transformar o clímax em algo excessivamente carregado.
Por que Vecna não precisou dos Demogorgons no confronto final

De acordo com Matt Duffer, a lógica da história justificava a ausência das criaturas. Vecna foi pego de surpresa pelo ataque mental liderado por Eleven, algo que ele jamais imaginou que pudesse acontecer em seu próprio território. Nesse contexto, não haveria tempo — nem necessidade — de mobilizar um exército de monstros menores, já que o Mind Flayer, apresentado como uma entidade colossal e quase divina, era suficiente para enfrentar o grupo.
Os Duffer também reforçaram que o Mundo Invertido nunca foi retratado como uma sociedade organizada de Demogorgons. Eles existem, estão espalhados pelo ambiente, mas não vivem em estruturas ou comunidades. Isso já havia sido sugerido na quarta temporada, quando Henry é visto vagando pelo planeta e avistando criaturas isoladas à distância. Assim, narrativamente, fazia mais sentido concentrar o conflito em forças maiores e mais simbólicas.
A ausência dos Demogorgons não foi uma falha, mas uma escolha para evitar a chamada “fadiga do monstro”.
Evitar exageros foi essencial para manter o impacto do final
Outro ponto levantado pelos criadores foi o risco de repetição. Ao longo da série, os Demogorgons já tiveram seus momentos mais memoráveis, especialmente em arcos anteriores. Para o encerramento, os Duffer queriam algo diferente, mais psicológico e emocional, centrado nos personagens e nas consequências de suas escolhas. Repetir batalhas físicas contra as mesmas criaturas poderia enfraquecer o peso simbólico do confronto final.
Essa decisão ajudou a manter o ritmo do episódio e reforçou Vecna como o verdadeiro vilão definitivo da história. O resultado foi um clímax mais intimista, apesar da escala épica, focado no sacrifício, na perda e no amadurecimento dos personagens.
O sacrifício de Eleven e o desfecho agridoce

Os criadores também comentaram sobre uma das escolhas mais debatidas do final: o destino de Eleven. Para eles, nunca fez sentido que a personagem terminasse segura ao lado do grupo, escondida no porão como nos primeiros anos. Desde o início, Stranger Things construiu a jornada de Eleven como a de alguém marcado pelo sacrifício.
Ao optar por desaparecer e impedir que o governo continuasse seus experimentos, Eleven não apenas protege seus amigos, mas também evita que outras crianças passem pelo mesmo sofrimento. Seja interpretado como morte, exílio ou recomeço solitário, o final carrega um tom deliberadamente doloroso e corajoso, reforçando a ideia de que nem todas as histórias precisam terminar com finais completamente felizes.