Sem o peso de um grande blockbuster ou uma campanha massiva de marketing, A Longa Marcha conquistou algo cada vez mais raro no cinema atual: impacto genuíno no público. O filme chegou cercado de expectativas moderadas, mas rapidamente se transformou em uma das maiores surpresas do ano, principalmente pela forma como constrói sua narrativa e pela intensidade emocional que sustenta do início ao fim.
É uma obra que não depende de explosões ou efeitos grandiosos. Seu poder está na atmosfera, no desconforto constante e na sensação de resistência que acompanha cada cena.
Uma introdução envolvente e sem excessos
Logo nos primeiros minutos, o filme deixa claro qual será seu tom. A Longa Marcha aposta em uma construção lenta e densa, sem pressa para impressionar. A ambientação é seca, opressora e propositalmente contida, criando um clima de tensão constante mesmo quando aparentemente nada acontece.
Essa escolha pode afastar quem espera um ritmo acelerado, mas recompensa o espectador que aceita caminhar junto com a história. A imersão é gradual, porém eficaz, e estabelece uma conexão emocional forte desde cedo.

Narrativa focada em sobrevivência e resistência
No centro do filme está uma história simples em conceito, mas poderosa em execução. A sobrevivência não é tratada como heroísmo, e sim como desgaste. Cada decisão pesa. Cada passo tem consequência. Os personagens são construídos de forma humana, falhos e vulneráveis, o que torna suas escolhas ainda mais impactantes.
O roteiro sabe exatamente onde quer chegar. O ritmo é controlado, nunca apressado, e mantém a atenção do público sem recorrer a atalhos fáceis. É um filme que confia na força de sua própria história.
Momentos decisivos e impacto emocional
Quando a trama avança e revela seus pontos mais críticos, A Longa Marcha se torna ainda mais contundente. As decisões tomadas pelos personagens não são confortáveis e nem sempre parecem corretas. O desfecho, em especial, provoca reflexão e deixa marcas, evitando respostas óbvias ou resoluções simplistas.
O impacto emocional não vem do choque gratuito, mas da identificação. O filme convida o espectador a se colocar no lugar dos personagens e a questionar até onde iria para continuar seguindo em frente.
Por que se destaca entre os filmes do ano

Mesmo competindo com produções maiores e mais aguardadas, A Longa Marcha se destaca justamente por não tentar ser algo que não é. Sua força está na qualidade do roteiro, na condução segura da narrativa e na coragem de apostar em um cinema mais introspectivo.
Não é um filme perfeito. Há pequenas falhas pontuais e momentos que poderiam ser mais lapidados. Ainda assim, o saldo é extremamente positivo. Poucos filmes do ano conseguem provocar tanto com tão pouco.
Uma das grandes surpresas de 2025
Ao final, fica claro por que A Longa Marcha vem sendo apontado como uma das grandes surpresas do ano. É um filme que permanece na mente do espectador, não pelo espetáculo, mas pela experiência emocional que entrega.
Uma obra que prova que o cinema ainda pode impactar profundamente mesmo longe do modelo tradicional de grandes blockbusters.