A minissérie Adolescence, produção original da Netflix criada por Jack Thorne e Stephen Graham, venceu o Globo de Ouro 2026 de Melhor Minissérie, consolidando uma trajetória impressionante na temporada de premiações. Com apenas quatro episódios, o drama policial já havia se destacado no Emmy e agora reafirma seu impacto global ao conquistar um dos prêmios mais importantes da televisão.
Desde a estreia, a série chamou atenção pela forma como constrói sua narrativa. A trama acompanha a investigação da morte violenta de uma adolescente de 13 anos em um subúrbio inglês. O ritmo é lento, controlado e profundamente imersivo. Cada episódio aposta em tensão psicológica e observação social, evitando soluções fáceis. O resultado é um retrato incômodo e honesto sobre culpa, juventude e responsabilidade coletiva.
Um dos grandes diferenciais de Adolescence está na direção de Philip Barantini. A escolha pela cinematografia em plano-sequência não é apenas um truque técnico. Ela reforça a sensação de urgência e aprisionamento emocional dos personagens. O espectador é colocado dentro da cena, sem cortes que aliviem o peso da história. Essa abordagem elevou a série a outro patamar artístico e foi amplamente reconhecida pela crítica.

As atuações também são um dos pilares do sucesso. Stephen Graham entrega uma performance intensa e contida, que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Ator em Minissérie. Owen Cooper, em papel decisivo, surpreende pela maturidade emocional e ganhou reconhecimento como ator coadjuvante. Erin Doherty completa o trio com uma atuação sensível e precisa. O elenco jovem se destaca não pela explosão dramática, mas pela vulnerabilidade.
Durante o discurso de aceitação do prêmio, Jack Thorne deixou claro que Adolescence não é uma série sobre temer os jovens. Pelo contrário. A produção propõe uma reflexão direta sobre os erros estruturais deixados pelas gerações anteriores. O texto evita julgamentos fáceis e prefere expor as falhas de um sistema que abandona seus adolescentes à própria sorte. Essa leitura social forte ajudou a série a se diferenciar dentro de um gênero já saturado.
O Globo de Ouro apenas reforça uma campanha que já vinha forte desde o Emmy. Em 2025, Adolescence venceu oito prêmios, incluindo Melhor Série Limitada, Melhor Direção e Melhor Roteiro. A consistência entre diferentes premiações mostra que não se trata de um fenômeno pontual, mas de uma obra sólida, respeitada por críticos, jurados e público.
A vitória também mantém a hegemonia recente da Netflix na categoria de minisséries, repetindo o sucesso do ano anterior com Baby Reindeer. Em um ano competitivo, com produções de peso de diferentes plataformas, Adolescence se destacou por unir rigor técnico, relevância temática e impacto emocional real.
No fim, o prêmio simboliza mais do que reconhecimento artístico. Adolescence se firma como uma das minisséries mais importantes dos últimos anos, não apenas pelo que mostra, mas pelo que provoca. Uma obra que incomoda, questiona e permanece na memória muito depois do último episódio.