“Hamnet”, dirigido por Chloé Zhao, conquistou o prêmio de Melhor Filme – Drama no Globo de Ouro 2026 e se consolidou como uma das obras mais relevantes da temporada. A vitória veio após uma disputa equilibrada, marcada por filmes fortes da Netflix, Neon e Warner Bros., e reforça o peso artístico e emocional do drama histórico inspirado no livro de Maggie O’Farrell.
Desde o anúncio, ficou claro que o prêmio vai além do reconhecimento técnico. “Hamnet” venceu por sua sensibilidade, humanidade e força emocional, qualidades que atravessam toda a narrativa. O filme não aposta em grandiosidade visual ou discursos fáceis. Ele se constrói no silêncio, na dor contida e na forma como o luto molda seus personagens.
A diretora Chloé Zhao, ao receber o prêmio ao lado do produtor Steven Spielberg, destacou o caráter coletivo da produção. Ela falou sobre perdas reais vividas durante as filmagens e sobre a importância da vulnerabilidade na arte. O discurso reforçou a identidade do filme, que trata o sofrimento não como espetáculo, mas como experiência humana compartilhada.
Por que “Hamnet” se destacou entre os dramas

O Globo de Ouro deste ano reuniu obras ambiciosas e muito diferentes entre si. Ainda assim, “Hamnet” conseguiu se sobressair por alguns fatores centrais:
- Uma direção intimista, que privilegia emoções reais em vez de excessos dramáticos.
- Um roteiro focado em personagens, não em eventos históricos grandiosos.
- Uma abordagem sensível sobre perda, maternidade e memória.
O filme escolhe olhar para quem ficou, e não apenas para o mito literário que o cerca. Essa decisão narrativa foi crucial para seu impacto crítico.
Atuações que sustentam o filme
A vitória de “Hamnet” também é reflexo direto das atuações. Jessie Buckley venceu o prêmio de Melhor Atriz em Filme – Drama, sendo amplamente elogiada por uma performance profunda, silenciosa e devastadora. Sua atuação carrega o filme emocionalmente, sem recorrer a exageros.
Paul Mescal, indicado como ator coadjuvante, complementa essa força dramática. A química entre os dois cria uma relação crível, dolorosa e humana, essencial para que a história funcione. Não é um filme de grandes falas, mas de olhares, pausas e gestos contidos.

Impacto imediato na corrida do Oscar
Com a vitória no Globo de Ouro, “Hamnet” entra de vez na conversa do Oscar. O filme já soma seis indicações importantes na premiação, incluindo direção, roteiro e trilha sonora. Esse desempenho o coloca como um dos favoritos ao prêmio de Melhor Filme, especialmente entre votantes que valorizam obras autorais e emocionais.
Além disso, Chloé Zhao já é uma diretora consagrada pela Academia. Sua reputação, somada ao forte apoio da crítica, aumenta ainda mais as chances do filme repetir ou até ampliar esse sucesso no Oscar.
Um drama que conversa com o presente
Mesmo ambientado no passado, “Hamnet” dialoga diretamente com o presente. O filme fala sobre perda, fragilidade e empatia em um momento em que essas questões seguem muito próximas da realidade do público. Essa conexão emocional é o que transforma o filme em algo maior do que um simples drama de época.
A vitória no Globo de Ouro não parece um ponto final. Pelo contrário. Ela funciona como um marco que confirma “Hamnet” como uma das obras mais importantes do cinema recente e um forte candidato a dominar as próximas premiações.