Guardiões da Galáxia Vol. 3 surge como uma resposta direta a quem duvidava da força criativa de James Gunn. O filme prova que ainda é possível equilibrar humor, ação e drama dentro do cinema de super-heróis. Mais do que encerrar uma trilogia, a obra funciona como uma declaração de princípios. Aqui, personagens vêm antes do espetáculo. E é exatamente isso que faz o filme se destacar dentro do próprio MCU.
A historia e foco no Rocket
A grande surpresa da narrativa é o foco em Rocket Raccoon. Durante anos, ele foi tratado como alívio cômico. Agora, assume o centro emocional da história. Os flashbacks revelam sua origem de forma brutal. Capturado ainda filhote, Rocket é submetido a experimentos cruéis que moldam sua inteligência e, ao mesmo tempo, seus traumas profundos. O roteiro não suaviza a dor. Pelo contrário. O sofrimento de Rocket é o coração do filme.
Essas memórias ganham ainda mais força com a presença de seus amigos animais, também modificados. A relação entre eles é construída com delicadeza e humanidade. A tentativa de fuga fracassada, que culmina na morte de todos, é uma das cenas mais duras já vistas em um filme da Marvel. Não há piadas. Não há cortes rápidos. Apenas silêncio, perda e choque. É nesse ponto que o filme deixa claro que está disposto a ir além do padrão do gênero.

O grande vilão e seus conflitos
O vilão Alto Evolucionário reforça esse tom mais sombrio. Ele não busca poder por vaidade. Sua obsessão é criar uma civilização perfeita, custe o que custar. Cruel, controlador e visualmente perturbador, o personagem se impõe como um dos antagonistas mais marcantes do estúdio. Sua relação com Rocket eleva o conflito a um nível pessoal e filosófico, onde ciência sem empatia se transforma em monstruosidade.
O grupo sempre unido
Mesmo com esse peso dramático, o filme não abandona a essência dos Guardiões. A dinâmica de grupo continua sendo um dos grandes acertos. As interações são naturais, maduras e carregadas de história. Não são mais estranhos tentando se entender. São uma família marcada por perdas, erros e afeto genuíno. O plano sequência de ação ao som de Beastie Boys sintetiza isso com perfeição. É estilizado, caótico e, acima de tudo, cinematográfico.
O arco de Rocket atinge seu ápice em sua quase morte. A experiência entre a vida e a morte não é tratada como um truque narrativo, mas como um momento de reflexão sobre identidade e propósito. Seu retorno simboliza renascimento. Rocket deixa de ser apenas sobrevivente e passa a ser líder.

O final da trilogia aposta na emoção silenciosa. Peter Quill volta à Terra e reencontra o avô, fechando um ciclo iniciado no primeiro filme. Gamora segue um caminho diferente, fiel à sua nova identidade. E uma nova formação dos Guardiões surge, agora liderada por Rocket. Não é um final explosivo. É um final digno.
A recepção crítica reconhece esse feito. A trilogia dos Guardiões da Galáxia é frequentemente citada como uma das melhores já realizadas no cinema de heróis. Comparações com as trilogias de Batman, de Christopher Nolan, e Homem-Aranha, de Sam Raimi, não parecem exagero. James Gunn entrega não apenas um bom filme da Marvel, mas um grande filme de cinema.